Caro amigo Vilardi;
Fico feliz por conhecer o nosso Estado e por mais que não queira dizer, viu uma das faces de nossa policia, especialmente a que faz o policiamento ostensivo, o seu baixo efetivo, apesar de ser algo relevante, não quero me deter sobre isso.
"[...] tem feito regressarmos ao inícios dos anos 80, no qual uma análise era consenso para os governos estaduais e Federal (diferente de hoje)".
Esta citação que fiz traduz que estamos em movimentos pendulares desde os anos 80, há contextos em que nossas polícias e governos estão predispostos a inibir a força letal dos agentes da lei e de suas instituições, em outro, está a tolerar seus excessos. Essa tolerância com seus excessos, está explicita na formação, nas ações das instâncias de controle interno e externo (não estou a dizer nenhuma novidade).
Outro aspecto é a precariedade dos salários dos policiais, que além de retirar deles a dignidade e a motivação para o trabalho, arrasta-os para o trabalho informal. Parte do número de homicídios acontece no confronto de policiais que estão de folga, com "sucesso" em sua maioria das vezes em favor do policial, contudo, em outras situações, com óbito desse profissional.
Quanto a 2004, tivemos 131 mortes por arma de fogo, em 2014, 454, . qual a razão disto? O crescente tráfico de drogas, a competição pelo monopólio deste mercado, a desigualdade social e racial, a ausência de políticas públicas para os jovens, o excesso de armas de fogo ilegais e legais no interior da sociedade. Contudo não se pode omitir que o gerenciamento das forças policiais, a existência de um plano de segurança ou mesmo de programas com objetivos específicos, tanto de valorização profissional, de controle interno e a redução de homicídios em áreas deflagradas e entre os jovens dificultariam os números de homicídios nos patamares atuais.
Mesmo que todo o quadro social, econômico e racial fosse resolvido, ainda o sistema de segurança pública funcionaria de forma ineficiente. Por que? Ciclo fragmentado, Formação e valorização profissional inadequada, legislações militares, dentre outros. Mudar o sistema policial não é um discurso contra policiais ou às suas instituições, mas é reconhecer que a efetividade do sistema ainda está no mesmo ritmo das lampadas incandescentes, enquanto o mundo, está a ultrapassar o ritmo das lampadas de led, as quais produzem mais gastando menos.
Hoje, está em percurso, na gestão da segurança pública do Estado do Piauí (com Fábio Abreu e Eugenia Villa), a elaboração de um plano estadual de segurança, o primeiro, se vier a se consolidar.
Para seu email passarei trabalhos que confirmam algumas dessas teses.
Jose Miranda
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