sexta-feira, 13 de dezembro de 2019



MORTE DE MULHERES NEGRAS  (Feminicídio negro)

Descrever crimes contra populações vulneráveis em sociedades capitalistas, racistas, patriarcais e desiguais tornou-se banal, não gera espanto, sensibilização e nem ações em busca de soluções. Contudo, o esquecimento do que ocorre, a invisibilidade social dos dados dos que morrem e a indiferença dos/as políticos/as e das instituições de segurança pública que fazem sempre o mais do mesmo, não podem silenciar a crítica teórica e militante dos direitos humanos. Neste sentido, cabe indicar números sobre a mortes de mulheres e indagar por que persistem ideias sobre as mulheres que as inferiorizam, submetem seus corpos ao masculino, retiram qualificações para o mundo do trabalho e predispõem sua vida a um campo de poder que decide por eliminá-la. 
A construção do gênero não ocorre de forma favorável ao feminino, muito menos se nesse corpo configurar uma negra. As morte referentes às mulheres de negras são negligenciadas e interpretadas a partir das análises gerais que trazem os fenômenos da desigualdade econômica e de gênero como  causadores, invisibilizando o maior recorte que a sociedade mercantilista, liberal e capitalista instituiu na sociedade moderna, o racismo. 
Essas mulheres são mortas nas periferias, o que denomino, como Achille Mbembe, áreas coloniais, nas quais as leis são suspensas devido á condição inumana de seus habitantes e, por essa razão, todas as atrocidades são possíveis de serem praticadas, tanto por pessoas quanto por instituições.
Homicídios de mulheres e Feminicídios – Piauí e Teresina 
                             (2015 a mar.2019)
ANO
Homicídios
Feminicídio
PI
TE
PI
TE
2015
66
25
26
06
2016
55
13
31
04
2017
62
23
26
06
2018
56
21
27
09
2019
38
09
20
03
 No caso dos homicídios em geral, Teresina responde, geralmente por metade dos casos, no feminicídio, o interior tem um maior número de casos. A compreensão desse caso específico, esteja na baixa capacidade de desconstrução do modelo patriarcal em ambientes onde a tradição, a masculinidade e virilidade perduram. 
Das mulheres assassinadas em razão de ser mulher, em Teresina, 3 são brancas, 1 preta e 24 pardas. onde ocorrem esses feminicídios: 12 na zona sul, 14 na zona norte, apenas dois feminicídios tiveram ocorrências em bairros fora da periferia, 1 em Fátima e o outro no bairro Buenos Aires.
As instituições(Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Defensoria) têm produzido atividade que provocam a desconstrução do modelo da sociedade patriarcal, contudo, não têm tido impacto na redução das mortes de mulheres negras. 




terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Teresina, 10/12/2019

Publicamos os dados referentes aos homicídios no Estado do Piauí e em Teresina, dados que nos colocam numa média de 19 a 22 pessoas mortas por 100 mil habitantes. Não podemos nos orgulhar de não sermos os piores no Brasil, uma vez que esses números ultrapassam a média de 10 pessoas por 100 mil habitante considerada a taxa 'aceitável' pela Organização das Nações Unidas (ONU). Acredito que diante desse contexto de extrema violência sobre a população teresinense que Teresina contará com duas secretarias de segurança pública, além do Ministério da Justiça e Segurança Pública que abrange em âmbito nacional e junto com essas instituições podemos contar com as Polícia Militar (PM), civil(PC), Rodoviária Federal(PRF), Polícia Federal (PF)e, a irmã caçula Guarda Civil Municipal(GCM). Não posso esquecer, em caso de uma Garantia da lei da Ordem (GLO), as Forças Armadas. Sobre a eficiência de tanta polícia os fatos falam por si.
Cabe agora trazer à tona fatos inexplicáveis para um Estado Democrático de Direito, no qual tem como base a defesa dos direitos à vida e à liberdade de todos, mas destacadamente, das populações mais vulneráveis. Defesa essa realizada pelas instituições do sistema de justiça criminal, dentre as polícias (PM, PC, PRF, PF e GCM(essa com menor intensidade em razão do absurdo do art. 144, CRFB/88).
Os dados de homicídios salientam a matança de negros e negras além da proporção populacional, uma vez que negros são 74% da população piauiense e os números de homicídios de negros (pardos e pretos) ultrapassam os 80%.


HOMICÍDIOS DE PESSOAS NEGRAS (2015-SETEMBRO DE 2019)
Cor da Pele
Vítimas
Freq. Relativa
F.Acumulada

2.338
76,98
76,98
Preta
295
9,71
86,70
Branca
257
8,46
95,16
Vazio
132
4,35
99,51
Amarela
10
0,33
99,84
Indígena
05
0,16
100

Fonte Secretaria da Segurança Pública – SET- 2019

Não basta dizer que negros e negras morrem por que são pobres, estão envolvidos com a criminalidade e têm propensão á marginalidade(este argumento persiste por aí). Não queremos negar a inexistência de uma sociedade mais justa, sem políticas pública adequadas a corrigir desigualdades nas inúmeras diversidades, mas indicar aqui a eficiência do Estado em matar e em deixar morrer as populações pobres e negras da sociedade piauiense.
A realidade é que o Estado e suas instituições do sistema de justiça criminal, a começar pelas polícia tratam a periferia enquanto estados coloniais, nestes os estados imperiais podem atuarem com qualquer violência ou não agirem em defesa, pois nessas regiões, as periferias, a justiça e a lei são suspensos. O que precisa ser aplicado na metrópole, pode ser suspenso no lugar onde habitam inumanos, sem direitos, fora da humanidade. Na metrópole, os cidadão são protegidos, nas colônias, as leis não valem. Os interesses do Estado são guiados pela pulsão da morte, que deseja destruir o diferente, o pobre, o negro/a.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019


 SEGURANÇA PÚBLICA E HOMICÍDIOS

A segurança pública é um direito de segunda geração, como dizem os juristas, após os direitos civis e políticos, a importância do bem-estar social da população através de políticas públicas passa a ser um desafio do Estado democrático. Contudo, na sociedade brasileira e teresinense esse direito está longe de ser contemplado. Os dados referentes aos homicídios no período de 2015 a 2019 indicam variáveis que apontam a consistência de manutenção dos números de mortes em Teresina e no interior do Estado do Piauí.


QUADRO I: Homicídios no Piauí e em Teresina (2015 a set 2019)

Mês/ano
2015
2016
2017
2018
2019
setembro
Total

PI
TE
PI
TE
PI
TE
PI
TE
PI
TE
Jan
56
32
66
38
56
31
52
22
48
20
278
Fev
56
32
60
34
49
19
49
22
36
15
250
Mar
55
26
62
30
48
28
55
30
55
28
275
Abril
42
20
51
23
67
29
42
25
59
19
261
Maio
59
38
63
32
64
34
44
29
64
27
294
Jun
45
23
50
28
58
35
63
28
44
18
260
Julho
39
28
57
35
54
29
54
29
45
25
249
Agos
52
23
53
29
50
23
52
25
33
17
240
Set
53
28
56
24
61
31
48
24
48
16
266
Out
62
28
61
32
52
23
46
23


221
Nov
66
32
58
23
52
18
61
43


237
Dez
88
51
69
38
47
21
54
24


258
Total
673

706

651

456

432


Fonte Secretaria da Segurança Pública – SET- 2019

O Quadrfo I demonstra que as variações nos números de homicídios não indicam uma política de enfrentamento a esse tipoto e os números em baixa são ocasionais, a exceção em 2019. no ano de 2019, a queda do número de homicídios é avaliada por inúmeros especialista como consequência da restruturação das facções nos presídios em âmbito nacional e de algumas implementações do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social(2018).O município é ente federado no qual no modelo atual não pode aplicar a política de segurança pública em sua plenitude, tendo em vista o art 144 da CRFB 1988.

O que se fazer diante de uma situação de imobilismo e da falta de interesse de proteção à vida das pessoas mais vulneráveis? As instituições da segurança pública estão acomodadas em seus privilégios e no total desgoverno dos recursos humanos e tecnológicos que estão à disposição da sociedade; os profissionais da segurança não tem diagnóstico e nem planejamento operacional do que se vai alcançar atingir naquela semana e o que se fazer naquele dia; independente do números de policiais e de guardas, muitos desses estão em gabinetes e os que estão nas ruas não têm objetivos e nem metas para alcançar.