MORTE DE MULHERES NEGRAS (Feminicídio negro)
Descrever crimes contra populações vulneráveis em sociedades capitalistas, racistas, patriarcais e desiguais tornou-se banal, não gera espanto, sensibilização e nem ações em busca de soluções. Contudo, o esquecimento do que ocorre, a invisibilidade social dos dados dos que morrem e a indiferença dos/as políticos/as e das instituições de segurança pública que fazem sempre o mais do mesmo, não podem silenciar a crítica teórica e militante dos direitos humanos. Neste sentido, cabe indicar números sobre a mortes de mulheres e indagar por que persistem ideias sobre as mulheres que as inferiorizam, submetem seus corpos ao masculino, retiram qualificações para o mundo do trabalho e predispõem sua vida a um campo de poder que decide por eliminá-la.
A construção do gênero não ocorre de forma favorável ao feminino, muito menos se nesse corpo configurar uma negra. As morte referentes às mulheres de negras são negligenciadas e interpretadas a partir das análises gerais que trazem os fenômenos da desigualdade econômica e de gênero como causadores, invisibilizando o maior recorte que a sociedade mercantilista, liberal e capitalista instituiu na sociedade moderna, o racismo.
Essas mulheres são mortas nas periferias, o que denomino, como Achille Mbembe, áreas coloniais, nas quais as leis são suspensas devido á condição inumana de seus habitantes e, por essa razão, todas as atrocidades são possíveis de serem praticadas, tanto por pessoas quanto por instituições.
Homicídios de mulheres e Feminicídios – Piauí e Teresina
(2015 a mar.2019)
ANO
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Homicídios
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Feminicídio
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PI
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TE
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PI
|
TE
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2015
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66
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25
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26
|
06
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2016
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55
|
13
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31
|
04
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2017
|
62
|
23
|
26
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06
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2018
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56
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21
|
27
|
09
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2019
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38
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09
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20
|
03
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No caso dos homicídios em geral, Teresina responde, geralmente por metade dos casos, no feminicídio, o interior tem um maior número de casos. A compreensão desse caso específico, esteja na baixa capacidade de desconstrução do modelo patriarcal em ambientes onde a tradição, a masculinidade e virilidade perduram.
Das mulheres assassinadas em razão de ser mulher, em Teresina, 3 são brancas, 1 preta e 24 pardas. onde ocorrem esses feminicídios: 12 na zona sul, 14 na zona norte, apenas dois feminicídios tiveram ocorrências em bairros fora da periferia, 1 em Fátima e o outro no bairro Buenos Aires.
As instituições(Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Defensoria) têm produzido atividade que provocam a desconstrução do modelo da sociedade patriarcal, contudo, não têm tido impacto na redução das mortes de mulheres negras.
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