POLICIAMENTO
EM TERESINA (PRIMEIRA PARTE)
José da Cruz Bispo de Miranda
Professor da UESPI
Desde 2001
estudamos a temática da segurança pública, especialmente as forças policiais.
Em nossa primeira incursão nos estudos sobre a polícia, tivemos como objeto a
polícia civil e seu processo de formação, no período de 2000 a 2001. Depois
desta investigação centramos a nossa preocupação na formação policial, quer da
civil ou da militar.
O processo
desses estudos nos fez questionar o impacto de alguns procedimentos que
deveriam ser rotina na atividade policial, mas no caso específico das nossas
policiais (as do Estado Piauí), em nossa opinião, são ausentes, quando muito,
inconsistentes e assistemáticos.
Escolhermos,
como objeto de pesquisa, em nossa atual pesquisa, “o policiamento na cidade de
Teresina, no período de 2010 e 2011”. (É bom lembrar que paralelo a esta
pesquisa desenvolvemos investigações nas temáticas da indisciplina,
incivilidade e violência na escola e, mais recentemente, sobre a
desmilitarização das polícias, esta última decorre dos estudos sobre a formação
policial) Para isso, além de conhecimento bibliográfico sobre policiamento
ostensivo, faz-se necessário conhecer os números dos crimes na cidade de
Teresina no período citados, além disso, tentar encontrar alguma regularidade
ou não desses índices por região e tipo de crime.
As pesquisas
(não apenas esta) são de cunho antropológico e sociológico, com viés qualitativo,
ou seja, buscamos responder às questões suscitadas a partir da coleta das
opiniões, dos valores, das práticas sociais e culturais. Coleta realizada pela
observação, pela observação participante, com auxílio do registro; pelo
questionário aberto ou semiestruturado; pela entrevista livre ou
semiestruturada.
É relevante o
fato de que, apesar da importância dos dados oficiais coletados nos momentos
das visitas às instituições, é imprescindível a familiaridade com o espaço do
objeto da pesquisa (ou sujeito da pesquisa), uma vez que as opiniões, os
valores e a práticas sociais devem ser coletadas no ambiente dos sujeitos da
pesquisa. Esses dados são interpretados a partir do referencial teórico pautado
na elaboração e na contextualização do problema, que em nada pode ser destoante
das técnicas da pesquisa. Sobre a análise, ocorre após uma primeira leitura dos
dados; a organização dos mesmos e sua interpretação.
Com isso
tentar investigar que tipo de policiamento foi executado no período estudado e,
se possível, descobrir que critérios foram utilizados para a escolha desse tipo
de policiamento nas regiões e associar o tipo de policiamento aos crimes mais
regulares em determinada região e; por último verificar se o uso da análise
criminal poderia sugerir um policiamento mais especializado, tendo em vista a
garantia dos direitos civis dos teresinenses.
Os
dados sobre os índices de crimes, especialmente homicídios e roubos (a
Delegacia Geral de Polícia Civil nos ofereceu, via solicitação formal, números
de homicídios, roubos, furtos latrocínios, no período de 2010 e 2011) foram
organizados por distritos, coube-nos organizá-los por região. Os dados da
Delegacia Geral da Polícia Civil divergem dos que são coletados pelo Ministério
da Justiça, isso se deve, em muitos casos à metodologia e concepção do seja
homicídio ou mesmo à mudança da qualificação do registro que pode ser
modificado no processo instrucional. Basta lembrar que em 2012, a Secretaria
dos Direitos Humanos, da Presidência da República criou norma que institui a
tipologia de homicídio a toda morte, antes tipificada como “resistência seguida
de morte” ou lavrada sobre outra nomenclatura.
Não
é objeto desta pesquisa as peças inquisitórias (os inquéritos policiais), nem
mesmo se abertura deles são proporcionais aos boletins de ocorrência ou aos
crimes de ação pública condicionada e pública, muito menos quantos desses
inquéritos foram transformados em peça acusatória no sistema judiciário.
O quadro
abaixo é um instrumento que nos auxiliará a ver como a polícia policiou a
sociedade teresinense tem do em vista a garantia de seus direitos fundamentais.
QUADRO
1 - HOMICÍDIOS E ROUBOS EM TERESINA, 2010 E 2011.
|
|
HOMICÍDIOS
|
Total
|
ROUBOS
|
Total
|
||
|
2010
|
2011
|
2010
|
2011
|
|||
|
Norte
|
29
|
29
|
58
|
1110
|
1129
|
2239
|
|
Sul
|
57
|
52
|
109
|
1695
|
2133
|
3828
|
|
Leste
|
14
|
15
|
29
|
1190
|
1044
|
2234
|
|
Sudeste
|
47
|
65
|
112
|
1646
|
1614
|
3260
|
|
1º
DP
|
4
|
4
|
08
|
1010
|
990
|
2000
|
|
Total
|
151
|
165
|
316
|
6651
|
6910
|
13561
|
Fonte: Secretaria da
Segurança Pública (SSP)/Delegacia Geral
de Polícia Civil
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